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quinta-feira, 18 de março de 2010

Futebol mostra mais uma vez que atrai praticantes de todos os cantos do planeta

Atletas coreanos do Friburguense mostram que ser um
jogador profissional não é um sonho exclusivo dos brasileiros

     Ao acompanhar o treinamento das divisões de base do Friburguense, rapidamente chama a atenção a presença de alguns garotos de olhos puxados, cabelos lisos e sotaque diferenciado entre os demais jogadores. Há pouco mais de um ano, o clube participa de um intercâmbio onde coreanos vêm ao país pentacampeão mundial de futebol para aprimorar a prática do esporte.
      Segundo o diretor de futebol, José Eduardo Siqueira, o projeto além de beneficiar estes jogadores pode trazer frutos também para o Frizão, "para eles é interessante no que diz respeito ao desenvolvimento da questão cultural, além do aprendizado adquirido na prática esportiva. A princípio, a idéia é que cada um fique aqui um ano. Para o Friburguense isto representa uma possibilidade de ampliar e desenvolver as categorias de base.” – afirma
      Além do Tricolor da Serra, outros times no Brasil como o Cruzeiro, o Goiás, e o Fluminense também realizam este tipo de intercâmbio De acordo com Siqueira, para firmar a parceria o clube tem de se comprometer a fornecer aos jovens alimentação, moradia, estudo e a participação em pelo menos dois amistosos por mês, "eles moram em um condomínio perto do estádio, junto com o Marcos, que é o responsável por eles, além do Afonso, jogador dos juniores. Desde o ano passado eles estudam no Colégio Canadá, em Olaria. A estrutura já está montada.” – revela
             Atualmente o clube conta com seis deles, sendo um na categoria infantil, quatro na juvenil e um na junior. Marcos, o representante dos garotos que vieram de diferentes cidades, afirma que todos eles foram indicados por treinadores das escolas de base, muito populares na Coréia do Sul. A partir daí, os pais foram procurados e o projeto foi apresentado. Com a autorização deles, aliado a vontade do atleta, houve o contato com clubes do Brasil para se firmar o intercâmbio.
                     A adaptação e as maiores diferenças sentidas
                Por se tratar de países com tradições muitos diferentes, incluindo em relação aos nomes próprios, os treinadores e jogadores do Frizão encontraram uma forma para identificar cada um deles. Jeong Hoon Park, Geon Tae Park, Jeong Woon Choi, Song Nak Hyung, Kwon Dae Hong, e Jeong Jong Soo receberam, respectivamente, os apelidos de Caio, Jean, Kaká, Daniel, Ruan e João. O próprio Marcos, na verdade se chama Dae Chan Moon.
          Caio, um dos únicos que tem algum conhecimento de português, explica a principal diferença que percebeu em relação ao futebol praticado em seu país, “a velocidade. Na Coréia o jogador corre muito mais. Aqui se busca mais o passe. Até mesmo nos treinamentos se utiliza mais a bola.” – diz
        Dono de poucas palavras, provavelmente pela dificuldade da língua, o volante da categoria juvenil afirma que o futebol embora seja bastante praticado em seu país, ainda perde para o Taekwondo, o mais popular dos esportes na Coréia do Sul. Em relação à culinária, um dos alimentos mais consumidos no Brasil foi o que mais lhe chamou a atenção: o feijão, que ele garante ter gostado. Já na escola, afirma que todos se esforçaram e foram aprovados no último ano letivo.
        Perguntado se possui um ídolo no futebol, o qual procura se espelhar, ironicamente não cita um atleta brasileiro. O preferido é o meia espanhol Xavi, do Barcelona. No entanto, ao ser questionado sobre o clube que escolheu para torcer no país não pensa duas vezes. “Flamengo!” – entusiasma-se para depois completar: “Mas nem todos eles são flamenguistas. Tem torcedor do Vasco, do Cruzeiro e do São Paulo também.” – confessa

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