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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Rebaixamento do Friburguense deve
servir de alerta para toda cidade

        Aconteceu o que ninguém esperava. 12 anos depois o Friburguense está de volta à segunda divisão do campeonato carioca e em 2011 vai disputar jogos contra Goytacaz, Ceres, Portuguesa, São Cristóvão, Bonsucesso e outras equipes de menor investimento. A derrota para o Duque de Caxias, quarta-feira no Estádio Marrentão levou o tricolor para a divisão inferior, afastando também o time da possibilidade de participação em competições nacionais como a série D e a Copa do Brasil, principal sonho dos dirigentes do clube quando começou o campeonato deste ano.
       Os prejuízos com esta queda ainda não foram calculados, mas certamente vai motivar uma grande reformulação dentro do Estádio Eduardo Guinle, que no início da temporada passou por várias reformas para se adequar às exigências da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro e a Rede Globo de Televisão, emissora que patrocina a competição.
       Uma queda inesperada porque a diretoria fez o seu papel, contratou jogadores, manteve todos os pagamentos e bonificações em dia, investiu em uma série de benefícios, manteve o treinador que já estava ano clube há dois anos e tinha feito boas campanhas, reformulou o gramado, equipou a concentração, manteve o padrão de clube de 1ª divisão que pretende estar na vitrine do campeonato mais charmoso do país.
     Mas houve um erro de estratégia que embora a diretoria não confirme, muito torcedores e grande parte dos sócios do clube entendem que algumas contratações não foram compatíveis com o prestígio do clube que possui o maior estádio de futebol do interior do Estado do Rio de Janeiro (20 mil pessoas), é sempre procurado para pré temporadas iniciais de competição e além de tudo goza de prestígio entre os principais dirigentes do futebol carioca.
       Se de um lado estiveram Siqueirinha, Nideck e Raul Marcos, sempre dando exemplo de amor e dedicação, também do lado deles estiveram dirigentes e assessores que deixaram de lado a palavra humildade, fundamental em toda atividade neste mundo informatizado, e usaram atitudes incompatíveis com as tradições do Fri e desprezaram muita gente inclusive integrantes da imprensa local.
      Nomes mais experientes e de caráter ilibado como Adriano, Sergio Gomes, Cadão, Ziquinha, que já estavam no clube desde que o gerente de futebol José Eduardo Siqueira assumiu, certamente estão muito tristes com esta realidade, pois acompanharam uma trajetória de sucesso que levou o Frizão a uma Copa do Brasil, várias séries C e uma semifinal de campeonato carioca com o Vasco da Gama numa partida memorável que o Fri só foi eliminado nos pênaltis.
      Mas este ano, o mesmo não se pode dizer de outros jogadores que vieram para Nova Friburgo como salvação da Pátria, cotados para fazer grande campanha, no ano em que o clube comemora 30 anos da fusão como Fluminense. Houve indisciplina, complô contra o técnico e diretores, relaxamento nos treinamentos e outros problemas que prejudicaram totalmente o ambiente que era até então, exemplo para todo futebol carioca e agora não adianta mais falar.
       Cai por terra também o projeto de aceleração das obras do Centro de Treinamento inaugurado no final do ano passado na Fazenda Centenário, Baixada de Salinas, em parceria com a Kinderdoff, diga-se de passagem um belo espaço, num local aprazível e que dá ao tricolor o status de melhor CCT do Estado do Rio, justamente porque nenhum dos grandes clubes cariocas tem um espaço como aquele.
       Não é o momento de apontar culpado, sair à caça às bruxas, crucificar pessoas e fazer terror, mas hora de parar para refletir e planejar o ano de 2011 para disputar a segundona e retornar à elite em 2012, pois capacidade, estrutura, competência e vontade de caminhar existe, tanto nos dirigentes, como associados e torcedores do Friburguense. É preciso com a máxima urgência um plano de marketing sério, com pessoas capacitadas, que possa projetar o Fri novamente na mídia.
       Essa eliminação não interessa a ninguém e aqueles torcedores, sócios e até ex dirigentes que foram para as arquibancadas para torcer contra, xingar jogadores, criticar o treinador, esculhambar a diretoria, e até comemoraram a queda na última quarta-feira, ano que vem vão sentir falta, porque não foi o Friburguense que caiu, mas toda Nova Friburgo que não verá mais os grandes clubes que retornariam ao interior ano que vem, terá o turismo afetado, vários jogadores e funcionários ficarão desempregados e terão que procurar clube porque o investimento para uma segunda divisão é bem menor que na 1° em função de todos os problemas financeiros que o futebol carioca oferece.
       Outro fator mais triste será o uso do grande complexo esportivo que o Frizão possui para jogos com Angra dos Reis, Artsul, Ceres, Fênix, Profute, Quissamã, Rio das Ostras, Sampaio Correa, Sendas, times sem expressão, inchados de empresários que não tem compromisso coma cor da camisa e usam o futebol para vender seus jogadores, muitas das vezes medíocres e se candidatar a cargos políticos. Estes empresários até agora só mostraram que com sua péssima atuação levaram uma cidade inteira e times tradicionais para o caos como: Cabofriense, Bonsucesso, Goytacaz, Itaperuna, Mesquita, Nova Iguaçu, Portuguesa, sem contar o São Cristóvão que inclusive já foi campeão carioca.
     Exemplos como os de São Paulo, Minas e Paraná devem ser seguidos urgentemente, pois a valorização da prata da casa, o apoio ao representante municipal são a mais pura realidade que o futebol tem que ser feito acima de tudo com amor e nunca através de mitologias vãs que já provaram que não dão certo.
      Neste Campeonato Estadual o Friburguense realizou 15 jogos, ganhou 3, empatou 3 e perdeu 9 somou 12 pontos e terminou na 15ª colocação, perdeu a classificação nas 4 derrotas seguidas dentro de casa respectivamente para: Olaria, Duque de Caxias, Bangu e Olaria. Foi para o Torneio de Morte com Duque de Caxias e Resende como favorito, mas não correspondeu e dos 4 jogos disputados não venceu nenhum, empatou 3 e perdeu a última decisiva com o Duque de Caxias, teve chance de selar sua sorte na primeira divisão em casa contra o Resende e ficou num 0 x 0 precipitado, jogando errado e amedrontado.
     Há de se ressaltar também a falta de sensibilidade e apoio do empresariado local com raríssimas exceções, que tem visão amadorística e jamais se colocou à disposição do time que não representa somente Nova Friburgo, mas toda região serrana. Se o Friburguense este ano não teve estrutura para se manter na 1° divisão estes empresários também tem culpa e até mesmo o Governo Municipal que deixou de lado o principal objeto de propaganda para a cidade a nível estadual e nacional, ou alguém está pensando que aqui virá alguma televisão transmitir jogos do Friburguense a não ser as locais?

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